2. Quais as principais diferenças entre as escolas e cursos que vc estudou? O que vc achou de bom e ruim nestas escolas ?
Gostei muito de todas, os enfoques foram diferentes, e isto foi muito positivo. No GIT (Los Angeles), onde estudei em 95, foi um ensino virado para a performance, tocar o tempo todo, aprende toda parte teórica p/ ser um músico profissional. Foi ótimo, tive muito contato com vários estilos musicais especialmente o Fusion. Já na Berklee (Boston)(96-99), foi um ensino profundo em todas as áreas: instrumento/performance, arranjo, improv, composição etc...Tive contato com ainda mais estilos musicais de todas as áreas do mundo (África, Bulgária, Argentina, Japão, Iugoslávia, etc..) e me aprofundei no Jazz americano, que abrange dezenas de gêneros nesta palavra, por opção pessoal.Toquei muito com outros alunos de nível altíssimo.
No Boston Conservatory, também toquei bastante, mas era mais específico, um estudo aprofundado em improvisação, muita transcrição, análise e estudo de grandes mestres, elementos de execução, além de Harmonia Não Funcional.
3. Qual foi a sensação de receber duas vezes o prêmio best of Berklee?
Foi muito bom, no primeiro (98) viemos em Tour ao Brasil, fizemos 11 shows lotados, no segundo (2000) tocamos em Festivais de Jazz nos EUA.Foi uma grande oportunidade de mostrar nosso trabalho.
4. Quem foram os caras mais significativos que vc encontrou neste tempo de estudo fora do país?
Todos professores marcaram bastante, em especial: Hal Crook, Wayne Krantz, Mick Goodrick, Scott Henderson, Ed Tomassi e Luciana Souza.
Dos colegas de trabalho, todos do Images, especialmente o Carlos, que é um dos melhores bateristas que já ouvi e Jaleel Shaw, saxofonista de grande destaque na cena atual Nova Iorquina, teve outros como Miguel Zenon, Antonio Sanchez (batera do Pat Metheny),...
5. Porque vc optou em gravar Images nos EUA?
Fizemos shows com a banda do Images durante 1 ano antes de gravar, todos moram nos EUA, não fazia sentido voltar sem gravar e registrar este trabalho com este grupo.
6. Qual foi a formula para misturar com sucesso jazz europeu, jazz americano, musica brasileira e erudita contemporânea?
Foi um caminho natural, nunca me prendi a estilo, meu gosto musical é muito amplo e acaba se refletindo na música. Quando estou tocando ou compondo, eu deixo fluir sem preconceitos, onde soa + brasileiro ótimo, onde soa mais americano ótimo e etc... o importante é soar espontâneo. Eu sempre procuro ouvir coisas novas de todas etnias e estilos, afinal, tudo é música. Alguns nomes que eu tenho estudado e ouvido e prestado bastante atenção são: Steve Coleman, Kurt Rosenwinkle, Dave Holland, Ornette Coleman, Egberto Gismonti, Dave Douglas, Livio Tragtenberg, Greg Osby e muitos outros que, embora em estilos bem diferentes, têm trazido muita coisa nova em suas músicas.
7. Este trabalho recebeu boas criticas e foi até indicado para o Grammy Latino, vc esperava esse bom resultado?
Sempre acreditei muito neste trabalho, mas com certeza não esperava a indicação, foi uma grande surpresa. Mas é uma grande recompensa e dá ainda mais energia para continuar este trabalho, que exige tanto tempo, estudo e foco. Para 2003 já estou com “energia recarregada” lançando o cd Sinequanon, continuação do trabalho do Images, mas em trio, e Jazz em Dobro, um duo com o guitarrista Pollaco.
8. Seus solos são recheados de idéias motivicas e ritmicas, aproximações cromáticas, GTL, ruídos aleatórios, clusters, entre outras coisas, como eles são elaborados?
Eu sempre trabalho em volta da melodia, usando poucas idéias, procurando desenvolver, tirar o máximo de cada uma. Tentar desenvolver uma estória, evitando frases feitas (licks). Desenvolver motivos é sempre uma boa escolha, e no “desenrolar”do improviso a interação c/ outros instrumentos/músicos também é um elemento essencial p/ que a estória,o solo, seja, não só minha, mas do grupo. A interação, não como simples cópia, ou imitação, mas como contraponto às idéias dos outros músicos.
9. Quais os tipos de voicings (abertura tipo drop 2, drop 3, etc...) que vc prefere em suas harmonizações?
Cada caso é um caso, Drop 3, Drop 2, e tantas outras idéias, são todas excelentes opções, acho que tudo depende do momento na música, sempre vou pelo que soa melhor em relação à banda. Não dá para prever, no cd Images eu tive de ser mais cuidadoso para não chocar com o piano e sim completar, atento o tempo todo para preencher o espaço na medida certa.
No trabalhos novos já muda tudo, quando toco em trio (próximo cd - Sinequanon), por exemplo, uso voicings de 2 ou 3 notas, e procuro deixar a harmonia ambígua. No duo com o Pollaco procuro o contra ponto, as vezes usando acordes cheios, as vezes idéias melódicas que completem o pensamento musical.
10. Vc poderia nos descrever um pouco de suas técnicas de composição e arranjo de base?
Toda composição começa na inspiração de uma idéia, melódica ou rítmica, um motivo, a partir daí desenvolvo ao máximo, usando intuição e técnicas como expansão, adição, contração entre outras. O primeiro arranjo vem junto com a composição, na inspiração, quando trago para o ensaio, acabo tendo outras idéias que somando a primeira o completam o arranjo. Procuro não restringir demais o arranjo dando sempre liberdade aos músicos para contribuírem a vontade.
11. Como surgiu a sua parceria com Carlos Ezequiel?
Nós entramos juntos na Berklee, ficamos muito amigos, e tínhamos os mesmos gostos e horizontes musicais. Nossas composições também seguiam a mesma direção, o que tornou tudo muito natural.
12. Quais foram os instrumentos utilizados na gravação de Images?
Guitarra Gibson 175 (1979) em quase todas faixas, exceto na última faixa, onde usei Gibson 335 (1993) . As cordas são sempre 013 Da’ddario, palhetas Fender ou Ibanez heavy. Amplificador Fender De Luxe. (direto, sem efeitos) |